quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

UMA QUESTÃO DE ALTERIDADE

A evolução é a responsável pelo desenvolvimento de seres com superpoderes na história.
Na linguagem científica, esse seria o próximo passo da evolução humana: de homo sapiens se tornará homo superior. No entanto, como há ocasiões em que a evolução pode dar um salto e avançar milhares e milhares de anos, o que na linguagem científica se considera uma mutação genética, aconteceu que homo sapiens e homo superior começaram a coexistir no mundo. Seres humanos diferentes foram obrigados a aprender a conviver (ou não) o que conduz à questão da alteridade.
A preocupação com a alteridade é algo recente na história da humanidade e ganha atenção especial com o surgimento da Antropologia no século XIX. Mesmo antes do surgimento da Antropologia, a ‘reflexão acerca do outro’ sempre ocorria no encontro com o outro diferente e, nesse encontro, a alteridade sempre oscilava entre uma visão depreciativa e uma visão ingênua acerca do outro diferente. Tanto a visão depreciativa quanto a visão ingênua ou romântica acerca do outro partem da comparação que se faz da própria cultura com a cultura diferente. Em outras palavras, não se fazia uma reflexão acerca do outro, mas uma reflexão acerca de si mesmo diante do outro. Em todo o caso, ambas as visões tinham o mesmo princípio: elas desconsideravam o outro como ser humano. Isso é perceptível através da forma de comparação lingüística e caricatural que traziam imagens de animais selvagens.
(SOUZA; OLIVEIRA, 2004: 1-3).
Não foi esse o imaginário presente na ‘cristianização forçada’ da América?
De qualquer forma, essas compreensões acerca da alteridade não mudaram com a emergência da Antropologia, mas ‘evoluíram’, pois o outro deixou de ser visto como um animal e passou a ser percebido como primitivo, como um ser humano não-desenvolvido ou ‘não-civilizado’: “definir o outro como primitivo é incluí-lo na categoria de humano. Porém, as concepções não deixam de depreciar o diferente, agora menos evoluído e inferior à cultura ‘civilizada’. Esta foi a abordagem fundante da Antropologia, no chamado Evolucionismo. O outro foi desclassificado para poder ser dominado na Era Vitoriana: tudo em nome da civilização”
(SOUZA; OLIVEIRA, 2004: 3-4).

SOUZA, Ezequiel de; OLIVEIRA, Kathlen Luana de. Tolerância e Alteridade. In: SALÃO DE PESQUISA 2002-2004. São Leopoldo: EST, 2004.

Acadêmica: Vicentina aparecida Nunes Coelho
Pró-Licenciatura / Artes Visuais

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